Terça-feira, 5 de Maio de 2009

Narizes empinados

Há certos narizes empinados que só mereciam uma coisa...

Um piparote mesmo na pontinha, daqueles que conseguem deixar os olhos marejados de lágrimas...

E uma dor fininha...

Fininha e aguda!

 

Terça-feira, 28 de Abril de 2009

Ajudar a Marta

Há já algum tempo que ando a pensar ser Dadora de Medula Óssea... Mas por preguiça ou comodismo ou de tudo um pouco vou sempre adiando... Amanhã... Mas agora vai mesmo ter de ser... Por uma questão de princípios... Por ver o amor dos pais da Marta... Por saber que como eles há tantos pais e filhos que podem precisar... E não custa... Agora vai ser a sério... Vou descobrir o ponto de recolha mais próximo...

 

Para quem não conhece o caso... Sugiro...

 

Ajudar a Marta

 

Não custa nada ser solidário...

 

Por agora estou...: Solidária
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Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

Café e água das pedras

 

- Um café curto e uma água das pedras, por favor!
- Fresca ou natural?
- Fresca! Com um pouco de gelo e limão...
- Com certeza!
Raio de dia mais cansativo... o tempo todo a aturar os putos dos outros... reconhecimento? Nenhum! Desde que começara a leccionar que nunca, nenhum aluno, em momento algum, tivera sequer um gesto de respeito ou gratidão! Obviamente que as suas actuais aulas de português não tinham o esplendor de outrora (alguma vez teriam tido?). sentia-se desacreditado nas capacidades daqueles miúdos. Sentia que era uma verdadeira perda de tempo e energia tentar incutir naqueles espíritos tacanhos o prazer da leitura. Era escusado!
E tudo tinha piorado ainda mais com os casos flagrantes da violência nas escolas, de alunos para professores... a cobertura da imprensa e de todos os telejornais, com vídeos lançados na internet... falava-se agora em bullying. No seu tempo eram rufias. Mas agora, os meninos tinham problemas, coitadinhos!
Era vê-los a entrar em turbilhão na sala, com as cabeças ocas encimadas por bonés e barretes, música aos berros, a gritaria do costume... já não estava para aturar aquilo.
Finalmente um pouco de paz... um café e uma água das pedras:
- Obrigado! Quanto é que eu pago já?
Hoje não queria pensar mais nos seus alunos, na turma C e E que tantas dores de cabeça lhe davam, nem nos tempos verbais, nem em Fernando Pessoa (bem... este estava inocente no meio de tudo... talvez até fosse ler antes de se deitar um dos seus heterónimos), nem em mais nada.
Apenas ele, um homem sentado em frente ao rio Tejo, a beber café e uma água das pedras bem fresca.
A ouvir...: Steam machine - Daft Punk
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Terça-feira, 7 de Abril de 2009

Sentou-se e esperou

 

Mais uma ida a pé até ao supermercado para comprar o muito que ainda lhe faltava na despensa e no frigorífico... Desde que tivera de vender o carro que se via obrigada a fazer o mesmo percurso a pé... Não era longe...
Mas o caminho repetia-se... Para lá de mãos vazias para cá com cada vez menos dinheiro.
 
Esta segunda gravidez nada tinha a haver com a da Leonor... Fora inesperada, de certeza que deixou a toma de uma pílula esquecida no blíster...
 
...E logo agora que ficara desempregada... Mas também... Sempre detestara aquele trabalhinho na fábrica... Não se queria armar em esquisita, mas sempre achou que valia mais do que o repetição automatizada dos mesmos gestos 8 horas por dia, ou mesmo mais quando as encomendas assim o exigiam... Mas eram outros tempos...
Agora suportava esta nova gravidez como se de um fardo se tratasse... Contudo estava fora de questão abortar!
 
O marido apoiara a decisão... Sempre quisera um rancho de filhos... Para mais desta vez ia ser um rapaz!

As dores nas costas cortavam-lhe a respiração. E dos 10 anos de trabalho na fábrica trouxera de recordação as varizes que lhe corroiam as pernas de forma tortuosa...
 
Atirou os sacos do supermercado para um canto da cozinha, sem vontade alguma de arrumar os iogurtes e o arroz e o pão... Sentou-se e esperou... Só não sei pelo quê...
 
 
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Quinta-feira, 19 de Março de 2009

Cor-de-Rosa

 

 

 

Nos bicos dos pés, espreitou pelo óculo... Não consegue ver nada, nem ninguém...
 
Podia  jurar que tinham tocado à porta. Agora mesmo!
 
Pés a arrastar, o chão que cede à sua passagem...
 
Não está com disposição para brincadeiras dos miúdos. Mas eles teimam em fazer pouco de si... Não há direito! Qualquer dia vai ter de chamar a porteira para ver se ela passa a dar um olhinho e impede o raio dos putos de lhe atazanarem o juízo!
 
Bzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz... Bzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz...
 
Não pode ser?! De novo, pés a arrastar...
 
Ainda bem que tinha vestido a bata cor de rosa, a que mais gostava desde os tempos de recém-casada... O seu Zé gostava tanto de a ver com aquela cor... Mas onde isso já ia... E o seu Zé...
 
Voltou a espreitar... Bicos dos pés... Do outro lado uma figurinha mirrada, quem sabe minada por invejas e maldizer... Nem queria acreditar no que via. Mas no fim de contas nada tinha de especial. Tinham sido amigas, muito amigas mesmo. Até que um mau estar incompreensível se instalou. Desde o último dia em que vira a Mira até hoje, tinha feito os possíveis e até mesmo os impossíveis para não pensar nela... Quando a mente e as lembranças a ludibriavam, lá vinha o cabelo revolto, entre o cobre e o ouro, os olhos verdes cheios de raiva e o cheiro azedo de uma conversa que não entendia...
 
- Nunca mais fales comigo, ouviste, Celeste? Não te quero ver... SAI!
 
Assim fizera...
 
Hoje... Nos bicos dos pés, espreita pelo óculo...
 
Mira respira fundo do outro lado da porta! Movida pela curiosidade...
 
-Sim? Quem é? – como se não soubesse. Por muito mudada que estivesse sabia perfeitamente de quem era a figura que na sombra se mexia com a dificuldade do passar dos anos...
 
- Sou eu... A Mira!
 
Lentamente... Abriu! Voltou a ver como no passado, a mesma energia, a mesma intempestividade... No regresso veio a voz cansada pelo tempo...
 
- Sou eu...
 
Durante uns segundos... Horas... Não sabe. Ficou parada sem reacção... Já não eram as mesmas, afinal! O mundo tinha dado tantas voltas...
 
- Entra. Aqui para a sala... Queres alguma coisa? – Queria antes saber o que a tinha levado ali... Mas ficou calada... É melhor!
 
 
De pé, encostada à ombreira da porta da sala, a mão esquerda sobre a anca... Ali...
 
- Celeste?... Vim-me despedir... Pedir desculpa... Fui uma tola! Bem sabes que era assim. Ainda sou! Desculpa... Não devias ter ficado com o casaquinho cor de rosa... Era para mim...
 
E o seu Zé? Ele sempre gostara de a ver com aquela cor...
 

 

 

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Segunda-feira, 9 de Março de 2009

Apetecia-me

Apetecia-me...

 

Sair a galope... Correr... Voar... Partir...

 

Mas sem fugir... De braços abertos, o ar e o vento e, se não preciso fosse, a chuva a fustigar-me o corpo...

 

Sair em liberdade... Poder gritar, berrar, fazer confusão... Mas sem incomodar ninguém...

 

Estar alegre, contagiar... Electrizar!

 

Sair a galope... Correr... Voar... Partir...

Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

...

Silêncio como substantivo, numa privação voluntária de sons, no modo austero de se abster... Devia ser antes um nome próprio... Assim seria mais simples de convidar a ficar...

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Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009

O síndroma do banco triplo

Com o tempo que passo dentro dos transportes públicos, nomeadamente no metro, dei por mim a pensar que existe um fenómeno relacionado com os lugares dos passageiros... Isto porque agora naqueles metros que mais parecem acordeões, com o harmónico a separar as carruagens, há uns bancos laterais nos quais, supostamente, se sentam três pessoas. E hoje deu-me para começar a pensar que existe um sintoma do banco triplo... Pois bem...

 

Para começar a viagem é feita como os caranguejos, de lado... Por mim não há qualquer tipo de  problema que eu não enjoo, nem mesmo na estrada mais aos sss... Tanto se me dá...

 

Depois, o verdadeiro dilema começa com a ocupação dos ditos Bancos Triplos. Estando o banco vazio, levanta-se a questão: pontas ou centro? É melhor sentar-me deste lado ou mesmo  no meio? Não é raro verificar que a maioria opta pelas pontas. A meu ver por dois motivos:

 

1.º-  Se chegar mais alguém pode sentar-se no outro extremo sem perturbar. Estando a outra pessoa afastada, temos a nossa "bolha" salvaguardada de intrusões e incómodos.

 

2.º- Temos além do encosto um apoio lateral. A viagem torna-se mais confortável e há mesmo quem se permita adormecer, mesmo que só entre poucas estações.

 

Mas há sempre quem se sente no meio, de pernas afastadas e ar de poucos amigos... Como se estivesse a ocupar o mui aguardado trono... Diria quase numa atitude egoísta... Não pretendo parecer sexista, mas na maior parte dos casos são elementos do sexo masculino que optam por este lugar.

 

Adiante... A verdadeira crise surge na hora de ponta em que os lugares sentados estão todos sempre ocupados... E com a crise vem a minha dúvida... Desde quando é que aqueles bancos são para três pessoas? Tudo bem, cabem lá as três, mas... Vão mais espremidos do que em pé... Vai o cotovelo do vizinho encostado ao ombro do do lado, num encaixe incómodo mas mais unido que peças de Lego. Por mim aqueles bancos não têm utilidade em horas sem movimento... E mais nada.

 

 

Publicidade - Versão 2.2

 

Não há duas sem três... Esta será a última campanha publicitária da época...

 

Foi... Com olhos de ver às 12:16
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Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009

Publicidade - Versão 2.1

Acho que fica sempre bem acompanhar a publicidade com o "logo" da marca, não é?

Basta clicar...

Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

Senhor da mercearia

Quando mudei de casa nunca me passou pela cabeça sentir falta do senhor da mercearia... Digo isto sem segundas intenções, sem maldade e sem ter em mente nenhum senhor da mercearia específico... O que pretendo dizer é que a decisão de mudar de casa mudou por completo as rotinas, os acessos e a disponibilidade... Ora vejamos... Antigamente se queria qualquer coisa da mercearia, descia as escadas, percorria meia dúzia de metros e lá estava ela... Agora... Desço ao piso -1, tiro o carro da garagem, apanho quatro rotundas entupidas de carros, chego ao centro comercial com hipermercado, procuro lugar para estacionar, subo a passadeira rolante, levo encontrões de 15% das pessoas com quem me cruzo e depois de já ter metido no carrinho tudo o que não preciso  e de ter gasto o que não devia, faço o percurso inverso.... Tudo isto para chegar a casa de mau humor e ainda descobrir que me esqueci de comprar o que queria mesmo!

 

Ai, senhor da mercearia...

Crescer

"Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar."

 

by Friedrich Nietzsche

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Publicidade - Versão 2.0

Como anteriormente foi publicitado há por aí um espaço dedicado ao tricot, crochet e afins, no qual se podem adquirir produtos únicos e encomendar outros(Madame Tricot).

 

No entanto há mais... Para quem gosta de azulejaria sugiro Arte do azulejo.

 

É espreitar e deixar os pedidos.

Por agora estou...:
Foi... Com olhos de ver às 16:11
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Mais um dia

Depois de um desgastante dia de trabalho (que eu também tenho dias assim) vou a suportar os risos histéricos promovidos por alterações hormonais da pré adolescência... Não tenho paciência para isto, juro! Não quero ser bota-de-elástico, nem de forma alguma castrar uma pretensa alegria de uma juventude que já não é a minha, mas o que é certo é que se torna incomodativo. Provavelmente há quem pense... Estás é velha!

 

 

Não quero saber!

 

Foi... Com olhos de ver às 15:16
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Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009

Desafio... Venha ele...

Princesa lançou-me um desafio: a confissão dos meus 7 pecados mortais, que são eles:

 

Gula - Comer a toda a hora e/ou além do necessário;
Avareza - Cobiça de bens materiais e/ou dinheiro;
Inveja - Desejar atributos, status, posses e/ou habilidades de outra pessoa;
Ira - É a função dos sentimentos de raiva, rancor e ódio. Por vezes é incontrolável;
Soberba - Falta de humildade, alguém que se acha auto-suficiente;
Luxúria - Apego aos prazeres carnais;
Preguiça - Aversão a qualquer trabalho ou esforço físico.

As regras do desafio são:
- Revelar a nossa relação com os pecados capitais;
- Nomear 8 blogues para responder ao desafio.
 

 

Por isso... Mãos à obra...

 

Gula... Confesso-me desde já culpada... Sou Gulosa, aprecio salgados e doces, não tenho olhado para os excessos... Mas com esse atitude a balança já reclama bem alto (ou de forma pesada, como queiram)... Sim... Peco pela gula, por não controlar impulsos de devoradora nata, de compulsiva consumidora de tudo o que faz mal... Mas num momento de excepcional lucidez sou capaz de parar, de me controlar, porque não quero mais, porque já não gosto, porque no fim de contas eu não quero isto assim... Contudo assumo o meu primeiro pecado!

 

Avareza... Não vou ser hipócrita... Considerando a definição que consta no início... Sou Avara q.b.! Como comodista que sou, amante do conforto e do bem estar... Do "viver bem"... Sou avara, porque se precisa de dinheiro para tudo, para todos os prazeres. Porque na nossa sociedade o dinheiro é "mandante"... Paga a casa, a água, o gás, a luz, a internet... Porque se precisa de dinheiro para ir à consulta de determinada especialidade, mas convém ter dinheiro para ir pagando o seguro de saúde... Porque até para se ter passe social é preciso dinheiro... Porque quando se bebe um café se paga com dinheiro... Porque não vivemos só de ar e bonitas acções... Por muito que nos encham as medidas os gestos de carinho não nos alimentam, não nos matam a sede, nem nos servem de agasalho... Porque me fiz à medida dos nossos dias... Assumo o meu segundo pecado!

 

Inveja... De uma forma redutora (se preferirem digam que arrogante que tanto me faz)... Eu não quero lá saber do que os outros têm! Já me chega de forma egocêntrica preocupar-me com os problemas que me dizem respeito a mim e aos meus, tenho lá tempo, paciência ou feitio para querer saber se "a galinha da vizinha é mais gorda do que a minha"! Não... Invejosa NÃO SOU!

 

Ira... Sou de extremos... Ou me lembro de tudo ... Ou não me lembro de nada... O que fica pelo meio, o que me desagrada, me remexe, me enerva, me irrita, me pertuba... Fica guardado num banho-maria (in)finito... E assim, por vezes, sinto indignação, irritação... Uma pontinha de agressividade a espreitar de um canto qualquer... Por vezes escapa-me um comentário ácido... Mas nunca colérico... Ira... Um nadinha... Mas não há perigo!

 

Soberba... Não me considero auto-suficiente... Sou um nadinha Dependente... No entanto tenho um pouco aquela atitude de nariz empinado, mania que sabe tudo e que consigo fazer as coisas sozinha... Mas é só mania... Que no fim de contas estou sempre a contar com as minhas "Bengalas" para me lembrarem que tenho de fazer isto ou aquilo, que está na hora de me levantar... Por isso... Soberba... Só mesmo na aparência... Se é que convenci alguém com este meu ar...

 

Luxúria... Acho que dizer apego aos prazeres carnais é muito redutor... Especialmente porque não vejo onde está o mal... Mas tudo bem... Há por aí outra definição em que Luxúria é o desejo passional e egoísta por todo o prazer sensual e material... Continua a ser pecado?

 

Preguiça... Eu até gosto de trabalhar... Até gostava de ir mais vezes ao ginásio... Logo, por esta sequência de ideias... Não sou preguiçosa... Mas para ser honesta, tenho que dizer a verdade... Sou Preguiçosa... Se de manhã a cama está quente e lá fora um frio de rachar... Claro que prefiro ficar sossegada no quentinho... Se está a dar aquela série que adoro num canal qualquer de cabo... Obviamente opto por uma posição bem confortável no sofá e nem me mexo para ir buscar um copo com água... Se há uma série de situações que me dão mais prazer do que as que implicam um esforço físico mais acentuado... Se posso optar.. Sou Preguiçosa! Mas não pensem... Há obrigações que tenho de cumprir... E aí, mesmo que tenha preguiça... Tenho de as fazer!

 

 

E tenho dito...

 

Agora a parte que acho mesmo complicada... Desafiar oito bloguistas... Hum...

 

Vou então passar a batata quente a:

 

A vida começa aos 27

O Blog feito na Bimby

Sorriso Duplo

Liberdade de Expressão

Siga Café

O Homem das Obras

Coisas de Gaija

O gato

 

Até lá...

 

Por agora estou...: Pecadora
Terça-feira, 13 de Janeiro de 2009

Como quem não quer a coisa...

Estiquei as pernas...

 

Encostei-me à cadeira como quem não quer a coisa... E não quis.

 

Fiquei sentada de pernas estendidas à espera da passagem do tempo.

 

 

 

 

Por agora estou...:

...

Está frio... E tenho sono...

 

Tenho andado assim... Entre o frio e o sono, numa atitude de sonâmbula... Ou será uma questão de falta de atitude?

 

 

Por agora estou...: Ensonada
Foi... Com olhos de ver às 12:29
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Terça-feira, 30 de Dezembro de 2008

You worry about the wrong things

Traz na mão os bilhetes para o circo (ou será para o Jardim Zoológico?)... Separa-os com uma delicadeza que destoa da secura do rosto carrancudo e fechado. Do outro lado um tronco curvado, pensativo olha pela janela, vidro riscado e rabiscado, para o fim do rio... Mais além, confidências de um casal, misturam sorrisos forçados e revirares de olhos...

 

Óculos escuros a dissimular o sono imenso que resta de outra noite em claro... Más notícias no interior de um jornal que no rosto traz "Positive vibe"...

 

E... Última paragem... Sem parar... Há que seguir para o próximo transporte. As ruas cheiram ao Tejo. Gosto...

 

No interior do autocarro que quase fecha as portas sem me deixar entrar, e já depois de agradecer a bondade de uma viagem paga no início do mês, sento-me...

 

Já não observo, como dantes, os pés dos passageiros. Tornei-me descarada e olho quem entra sem curiosidade.

 

Vejo nas montras promoções, baixas e rebaixas... Contudo as lojas estão vazias. Se ainda estão fechadas...

 

No Rossio só as fontes parecem sorrir. Um homem, de mãos nos bolso, cabelo pastoso e olhar vago grita qualquer coisa...

 

Manifestam-se mais activos os reformados que teimam em utilizar os transportes públicos nas horas de maior movimento.

 

Sussurra-me ao ouvido uma voz conhecida: " You worry about the wrong things"... Ele lá sabe!

A ouvir...: Kanye West - Paranoid

Cinza

Geralmente opto por uma camisola preta, branca... Cinzenta... Umas calças de ganga e umas botas... Por vezes uns ténis... Pretos ou cinzentos... E ao ver-me no espelho, encontro uma impressão a positivo ou negativo de uma fotografia a preto e branco, com os cantos comidos pelo tempo que não se considerou. O acne extemporâneo, cravando sombras em áreas estratégicas, a noite que não se dormiu na cava da roda dos olhos...

 

E nesta imagem soturna me vejo, sem cor e sem brilho. Nem mesmo o branco dos olhos parece claro! Nem um lampejo de vida, um indício. Apenas uma imagem a grão fino preso nas pestanas.

 

E culpa de quem? De mim, de mim que me afundo sem me ver. Que me deixo cair com pena de ser como sou, mas que nada faço para me alcançar.

 

Traduzo os meus dias numa cobardia venenosa que me fustiga e frustra. E vou ao sabor da corrente de um rio estagnado e putrefacto.

 

E o espelho que devolve o meu retrato fica preso na parede...

Mas hoje não quero fugir nem de mim, nem de nada ou de ninguém. Vou levantar o que sou, suster a respiração até me superar e suportar.

 

E amanhã vou inventar-me no que já fui e fiz, sem medo de errar. E se me enganar vou pegar noutros tons e voltar a pintar(-me).

 

A ouvir...: Elvis Presley - If I can dream

Nothing to hang on

The irony of life is when an amazing story turns into a lie that runs out of your days and leaves you with nothing to hang on.

A ouvir...: Jeff Buckley - Hallelujah
Foi... Com olhos de ver às 10:46
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Quem sou eu...

Bisbilhotar por aqui...

 

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